
Resenha não recomendada para quem não leu ainda, por conter spoiler, ok?
Branca dos Mortos e os Sete Zumbis é um livro de contos que reinventa os contos de fadas conhecidos em um ambiente de terror/horror, do autor brasileiro Fábio Yabu.
Os que pouco conhecem (ou se interessam em) contos de fadas e principalmente pelo gênero terror/horror, certamente se chocaram ou abalaram-se com as histórias. Na verdade, achei muitas das cenas forçadas e /ou apelativas. Cada conto porém tem seus pontos fortes e fracos, o mais justo, portanto, seria falar deles individualmente.
Branca dos Mortos e os Sete Zumbis -
Uma rainha que não conseguia engravidar pede ajuda a uma bruxa na floresta, então após a realização de um feitiço, dá a luz à Branca de Neve. Assim como na história que conhecemos, a rainha morre e Branca cresce nas mãos da invejosa madrasta
O conto de abertura e o que nomeia o livro foi o mais decepcionante. Não sei dizer ao certo o que esperava do livro quando o comprei (sempre fui fã de terror, e achei o máximo a ideia de misturá-lo às historias infantis), Porém, enquanto eu lia, simplesmente eram jogadas para fora das paginas cenas grotescas com a única intenção de chocar. Confesso que após terminar esse conto tive um grande desânimo em continuar o livro.
João, Maria e os Outros -
Começa falando sobre o karma, e é em torno disso que a história girará. Também é vista a primeira ligação entre os contos (de longe o fato que mais me conquistou). O ataque dos animais ao pai e a madrasta foram bons, e o castigo do primeiro foi bem feito (em ambos os sentidos). Como várias historias de terror, algumas coisas não precisam de explicação sólida, apenas ser bem montada.
Os Três Lobinhos -
Original e bem criativo, com várias histórias no mesmo conto (Os 3 Porquinhos, Chapeuzinho Vermelho e o Menino que Gritava Lobo), e também a forma que muda a perspectiva, tornando os lobos os "mocinhos da história". Um dos meus preferidos
A Vendedora de Fósforos e o Vingador -
Muito bom, trata bastante do egoísmo e crueldade humanos na frente da fome e miséria. Apesar de cenas fortes (bem construídas) não é agressivo, e assim como João e Maria, o terror é o do desconhecido.
Cindehella e o sapatinho infernal -
Um dos que mais me dividiu a opinião. Por um lado, achei boa a ideia da Cinderela inteligente, leitora, cientista, e sensacional o tão esperado castigo da terrível madrasta. Entretanto a cena do banho de sangue após a meia-noite demorou mais que o necessário, e o que era para assustar/chocar tornou-se um pouco enfadonho.
A Confissão -
Achei um dos mais interessantes. Um Pinóquio que manipulou vários crimes no universo do "Era Uma Vez...". Curto, mas bem desenvolvido. Você não sabe o que esperar ou que está acontecendo até ser surpreendido.
Bela Incorrupta -
Bela Adormecida com Frankenstein. De longe, esse foi o conto com mais pesquisas e "ligações" com o mundo real. Não apresenta passagens aterrorizantes ou sanguinolentas, mas trata-se de uma atmosfera mórbida.
O Monstro -
Originalmente construído em forma de poema, é um pouco triste, mas divertido de se ler.
O Cemitério -
Me fez lembrar um pouco a "Turma do Penadinho", com uma reunião dos mortos e a conversa sobre a desventura que os levaram até a morte. Reúne vários personagens de outras histórias
Samarapunzel -
Bem bolado, Rapunzel com Samara Morgan, contado por Wilhem Grimm, como forma de se livrar da famosa maldição dos "7 dias", e a parte mais gostei de todo o livro:
"- Que história foi essa? - Indaguei-lhe - Onde a leste?
- Não a li, Wilhem! Foi-me contada por meu amigo Hans, que a ouviu de Charles [...]"
Transformou a Santíssima Trindade dos Contos de Fadas em personagens!
O Fim de Quase Todas as Coisas -
Após a extinção da raça humana, é uma história curta e simples, mas escrita de forma poética e com uma ligação inteligente no final.
O Livro da Dor -
Nos mostra o que originou os horrores ocorridos nas outras histórias enquanto os humanos são observados por demônios.
O maior tesouro que achei desta obra foi ter ligado todas as histórias, e com discrição. Os desenhos e toda a a arte contida são um show à parte. Livro muitíssimo bem escrito e trabalhado.
A livro "A Coroa" é o quinto e último da série "A Seleção", da autora Kiera Cass, publicado pela editora Seguinte em maio de 2016
Como marca registrada da série (e da autora) o livro é narrado em 1º pessoa, sendo nossa protagonista a princesa Eadlyn Schreave.
A história de Eadlyn começa em "A Herdeira", onde vemos uma princesa bastante mimada, egoísta e um pouco alienada, uma protagonista difícil de se gostar depois de tanto tempo com a carismática América, protagonista dos três primeiros livros (A Seleção, A Elite e A Escolha). Até o final do livro, quando sua mãe fica com um sério problema de saúde e a princesa vê-se obrigada a amadurecer.
Em "A Coroa", vemos a jornada da princesa se tornando rainha, aprendendo a lidar com as diferenças e necessidades dos outros, ao mesmo tempo que acontece uma Seleção e ela precisa encontrar um marido. Parece muito para 309 páginas? Pois realmente, foi.
A grande maioria dos garotos já haviam sido dispensados no quarto livro, porém, aqui eles desaparecem, perdem a importância e são dispensados antes que você se lembre totalmente de quem é ou que dê tempo para "torcer" para algum vencedor. Falando em vencedor, o relacionamento da princesa com o escolhido tentou passar a impressão de uma paixão arrebatadora e de repente, mas apenas pareceu que a autora mudou de ideia na última hora. O casal apaixonado não emanava carisma e muito menos empatia.
Em A Herdeira, foi dito que o reino passava por dificuldades com o povo, com outros países e sofrendo rebeliões querendo derrubar a monarquia. Aqui, tudo isso foi posto totalmente de lado. Essas crises são esporadicamente citadas, mas não mais mostradas, perdendo o lado político da história para se concentrar na personagem. Mas isso também foi feito de um hora para outra.
O crescimento pessoal e o amadurecimento profissional da Eadlyn foi praticamente instantâneo, como se toda a sabedoria do rei fosse passado junto com a coroa. A princesa não aprendeu a lidar com seus súditos e funcionários, apenas nasceu assim. A Eadlyn de A Herdeira não é a mesma de A Coroa, e nós não vemos a mudança acontecer.
Uma coisa interessante foi a formação de um casal gay (mesmo que com estereótipos) que ajuda a princesa a dispensar mais dois candidatos, ao mesmo tempo que trabalha um pouco (com superficialidade e delicadeza) sobre o homossexualismo no universo de Iléa.
A resenha parece resumida? Deve-se ao fato de o livro todo parecer um resumo da própria história. Deveria ter havido mais tempo para que as coisas acontecessem e para que aprendêssemos a gostar da nossa protagonista e de seu par romântico, afinal, esse é um universo feito para que você suspire e acredite no amor.
"A Coroa" vale a pena como desfecho de uma séria muito boa, e exatamente por este motivo, deveria ter sido criado com mais cuidado.

